Dólar fecha a R$ 5,48 e Bolsa encerra agosto abaixo dos 100 mil pontos

O dólar voltou a subir diante das preocupações sobre a situação fiscal do Brasil, que persistem mesmo após o governo entregar ao Congresso a proposta de Orçamento para 2021, que prevê déficit primário de R$ 237,3 bilhões no ano que vem para o setor público consolidado e ainda rombo acima de R$ 150 bilhões em 2022 e 2023. Com a nova alta, a moeda americana fechou agosto acumulando valorização de 5,05%, a maior desde março, quando disparou 16% em meio ao início da pandemia do coronavírus e das medidas de distanciamento social. Em 2020, a divisa norte-americana sobe 36,6%. À vista, o dólar fechou a segunda-feira, 31, em alta de 1,21%, cotado em R$ 5,4806.

Já no fim do dia, o Ibovespa não resistiu à pressão e encerrou na mínima do dia, com queda de 2,72% – 99.369,15 pontos, elevando as perdas do mês a 3,44%, a primeira negativa desde março. Segundo a analista de ações da Spiti, Cristiane Fensterseifer, o mercado “fez jus àquela frase: ‘Agosto, mês do desgosto’. Os acontecimentos não foram muito positivos tanto lá fora como aqui no Brasil. Nos EUA e China, chama atenção o recrudescimento dos mal entendimentos da China com os EUA que agora ganha novos contornos com disputas envolvendo empresas de tecnologia como o Tik Tok e Huawei. Mesmo assim a bolsa nos EUA, pelo S&P subiu mais 7% no mês, atingindo novos recordes e acumulando alta de mais de 8% no ano”. Segundo ela, no Brasil, “aumentou o medo com relação ao nosso déficit fiscal, uma vez que a reforma administrativa foi adiada e vários liberais desembarcaram do governo, com destaque para a saída de Salim Mattar, que era o encarregado dos projetos de privatização”.

Já para o analista da Clear Corretora, Fernando Góes, a perspectiva para o mês de setembro é de “um mercado caminhando de forma lateral, perdendo um viés de alta que tinha, mas que ainda não entrou em venda”. Segundo ele, a bolsa deve ultrapassar a marca de 105 mil pontos, mas não em ritmo acelerado. “Acredito que levará um pouco mais de tempo para sairmos da linha entre 99 mil e 105 mil pontos, onde o mercado está consolidado. Só teremos uma mudança de cenário se rompermos esses níveis, abaixo de 98 mil ou acima dos 105 mil para decidir a próxima direção. Por enquanto, existe mais chance disso acabar para cima, mas quanto mais tempo demorar, menor a confiança de rompimento dos 105 mil”, avaliou.

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