Estabilização da pandemia no Brasil deixa ‘impressão que as coisas estão melhorando’, mas país precisa diminuir a transmissão, diz OMS


Diretor de emergências da entidade disse que créditos a discreta desaceleração do coronavírus no Brasil deve ser dado aos profissionais da saúde e comunidades. 100 cruzes são colocadas na Praça Cívica em memória pelas quase 100 mil mortes por coronavírus no Brasil
Vítor Santana/G1 Goiás
A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a comentar a situação da pandemia no Brasil durante a coletiva desta sexta-feira (21).
O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, reconheceu que os serviços de unidades de tratamento intensivo estão sob menos pressão do que estavam inicialmente no Brasil, mas alertou que isso não significa que o país tenha conseguido controlar a transmissão do vírus.
“A desaceleração da pandemia se estabilizou no país, mas ainda temos 6 mil casos diários”, lembrou Ryan. “Podemos ter a impressão de que as coisas estão melhorando, mas precisamos de medidas efetivas para diminuir a transmissão no Brasil.”
Para o diretor de emergências da OMS, os créditos da desaceleração dos casos diários no Brasil, apesar de se manterem altos, “devem ser dados às comunidades e aos profissionais da saúde.”
“A pergunta agora é se esse padrão de declínio será mantido”, observou Ryan.
Até esta sexta, o Brasil tem mais de 112,4 mil mortes pela Covid-19 e 3,5 milhões de casos confirmados. Somente cinco cidades no país seguem sem casos da infecção.
Em relação aos profissionais da saúde, a líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove, alertou para a alta taxa de infecções entre eles no mundo todo.
“Entre 10% a 20% das notificações de casos de infecções nos países são entre profissionais da saúde. Eles estão se arriscando para cuidar da Covid e de todas as outras doenças do mundo”, disse Kerkhove.
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Progresso não é vitória
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanon, demonstrou preocupação com os países que estão apresentando novos surtos do coronavírus após um breve período de estabilização dos casos.
“Vários países estão vivenciando novos surtos”, disse o diretor-geral. “Isso demonstra que o progresso não significa vitória. A maioria das pessoas continua suscetível ao vírus.”
Segundo a Organização, um dos dados que mais preocupa no momento são os números elevados de infectados que precisam de cuidados médicos.
“Não são apenas os números de casos e mortes que importam. Em muitos países, o número de pacientes que precisam de hospitalização e cuidados avançados continua alto, colocando uma enorme pressão sobre os sistemas de saúde e afetando a prestação de serviços para outras necessidades de saúde”, ponderou Tedros.
Em relação a busca por uma vacina segura contra o coronavírus, Tedros disse que a vacina sem dúvida será uma ferramenta vital, “mas não há garantia que isso ocorrerá”.
“E mesmo que tenhamos uma vacina, ela não vai acabar com a pandemia por si só”, afirmou o dirigente.
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