Josias de Souza: Ao atacar jornalista, Bolsonaro continua sendo Bolsonaro

Após o presidente Jair Bolsonaro afirmar a repórter que tinha “vontade de encher sua boca de porrada”, ao ser questionado sobre repasses do ex-assessor Fabrício Queiroz à Michelle Bolsonaro, o comentarista do 3 em 1, Josias de Souza, afirma que o presidente continua sendo o mesmo. “Bolsonaro continua sendo Bolsonaro. Ele andava sumido desde a prisão de Fabrício Queiroz e agora está de volta o legítimo Bolsonaro”, disse. Para Josias, o presidente deveria “dar meia dúzia de explicações” sobre o caso.

“O presidente deveria considerar dar meia dúzia de explicações. Nessa segunda, ele se diz perseguido pela Globo, mas isso não resolve o problema, só deixa o Bolsonaro parecido com o Lula, que já criticou o jornal Folha de S. Paulo e a Globo. O presidente Jair Bolsonaro ataca ao invés de defender, confunde ao invés de explicar. Ele se tornou o pior tipo de suspeito: o suspeito indefeso”, avaliou. Segundo Josias, é papel da imprensa questionar Bolsonaro sobre o caso Queiroz e os repasses à conta de Michelle Bolsonaro. “A imprensa pode fazer tudo pelo Bolsonaro, menos o papel de bobo, esse não pode ser feito. As perguntas serão reiteradamente feitas e o presidente deve considerar a hipótese de arrumar explicações. Um presidente infelizmente tem esse dissabor: Ele tem que dar explicações”, disse.

Para Thaís Oyama, o “arroubo” ao responder uma pergunta revela que o presidente fica nervoso “porque fica claro que o caso Flávio é na verdade o caso Jair”. “Com essa frase, Bolsonaro lembrou quem é para o Brasil e para o mundo. O presidente tem convicções democráticas rasas, já ameaçou fechar o Congresso e romper institucionalmente com o STF, além da ameaça de golpe. Minha aposta é que o presidente fica nervoso porque fica claro que o caso Flávio é na verdade o caso Jair”, avaliou. Segundo ela, o senador Flávio Bolsonaro não era o único “‘habitué’ do que chamamos carinhosa e complacentemente de rachadinha”. “Mas também o presidente Bolsonaro quando deputado tinha, ao que tudo indica, o hábito de usar salários de servidores públicos para pagar despesas da família e isso sempre teve um nome: desvio de dinheiro público”.

O comentarista Rodrigo Constantino, no entanto, defende que a íntegra do áudio, com a pergunta feita pelo repórter, seja divulgada, mas também defende que Bolsonaro teve uma reação equivocada: “Eu não tomo como face de valor de que ele só perguntou e recebeu essa bordoada. Eu não vi a pergunta do jornalista. Mas se foi provocado ou não, ele já é presidente há quase dois anos e não pode fazer esse tipo de besteira. Isso levanta a bola para um monte de hipócrita”, disse.

Confira a íntegra do 3 em 1:

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